
Castlevania: Belmont's Curse, o retorno de uma lenda dos videogames
O retorno das aventuras em 2D chegou!

Em 1986, a Konami apresentou ao mundo um jogo que ajudaria a definir o futuro dos videogames. Um castelo, um caçador de vampiros, um chicote e uma missão aparentemente simples: derrotar Drácula. Quarenta anos depois, Castlevania não é apenas uma franquia clássica. Ela faz parte da história de um gênero que carrega seu próprio nome.
Existe, porém, algo curioso nessa trajetória. Enquanto os metroidvanias continuaram evoluindo com jogos como Hollow Knight, Blasphemous e tantos outros, a própria Castlevania passou anos distante do formato que ajudou a popularizar. Até agora.
Castlevania: Belmont's Curse marca o retorno da franquia às aventuras de ação e exploração em duas dimensões. Desenvolvido em colaboração com a Evil Empire, conhecida por seu trabalho em Dead Cells, e com a participação da Motion Twin, o jogo busca recuperar uma identidade que marcou gerações.
Mas, depois de tantos anos vendo outros títulos expandirem seu legado, será que Castlevania ainda consegue provar por que se tornou uma lenda? Confira neste artigo! E, se preferir, você também pode acompanhar nossa análise em vídeo.
O retorno de uma lenda
Ao longo de sua história, Castlevania construiu duas identidades bastante distintas. De um lado, estão os jogos clássicos, conhecidos por suas fases desafiadoras, inimigos perigosos e combates que exigem precisão. Do outro, especialmente a partir de Castlevania: Symphony of the Night, surgiu uma abordagem mais focada em exploração, progressão de personagem e mapas interconectados.
É justamente essa segunda identidade que Belmont's Curse procura recuperar. A associação com os desenvolvedores de Dead Cells pode levar alguns jogadores a imaginar que estamos diante de um roguelite. Mas é importante esclarecer: Belmont's Curse não segue essa estrutura.
O jogo não apresenta fases geradas proceduralmente nem uma aventura baseada em recomeçar tudo após a morte. Em vez disso, aposta em um metroidvania tradicional, com mapas construídos manualmente, habilidades desbloqueáveis, equipamentos e exploração.
A proposta, no entanto, não é simplesmente recriar Symphony of the Night. Belmont's Curse procura encontrar um equilíbrio entre a identidade clássica da franquia e uma abordagem mais moderna para o combate e a movimentação.
Uma nova geração da família Belmont
A aventura acontece em 1499, em Paris, 23 anos depois dos acontecimentos de Castlevania III: Dracula's Curse. Dessa vez, acompanhamos Rose Belmont, filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, dois personagens fundamentais para a história da franquia.
Paris está sendo consumida pelas chamas. Criaturas monstruosas tomaram suas ruas, e uma conspiração envolvendo o retorno de Drácula ameaça mergulhar a cidade em uma nova era de escuridão. É nesse cenário que Rose precisa assumir o legado de sua família. Armada com o lendário chicote Vampire Killer, ela parte para enfrentar os monstros e descobrir o que realmente está acontecendo.

Mas Rose não é simplesmente uma nova Belmont empunhando uma arma. A personagem também carrega conflitos pessoais, especialmente relacionados ao passado de sua família e a uma misteriosa maldição que se manifesta em seu corpo. Isso dá à protagonista uma motivação que vai além de simplesmente derrotar o grande vilão da vez.
A narrativa não tenta transformar Castlevania em um RPG gigantesco, repleto de diálogos e decisões. Ela continua relativamente direta, mas utiliza seus personagens, encontros e pequenos momentos de desenvolvimento para dar mais significado à jornada.
Embora a história não seja necessariamente o maior destaque da experiência, ela funciona como uma boa maneira de apresentar uma nova geração da família Belmont.
Combate e movimentação: o chicote em destaque
Se existe uma área em que Belmont's Curse realmente tenta modernizar a franquia, é na jogabilidade. Rose é uma protagonista consideravelmente mais ágil do que muitos dos antigos caçadores de vampiros. Ela pode correr pelos cenários, saltar entre plataformas, esquivar de ataques e utilizar diferentes armas durante os confrontos.
Mas o grande protagonista do combate continua sendo o Vampire Killer. Desta vez, o chicote não serve apenas para atacar. Também pode ser utilizado para se prender a determinados pontos dos cenários, atravessar obstáculos e alcançar lugares que normalmente seriam inacessíveis.
Essa mecânica muda bastante a maneira como exploramos o mundo. Em alguns momentos, a movimentação se aproxima de uma sequência de acrobacias: Rose salta, utiliza o chicote para ganhar impulso, alcança uma plataforma e continua avançando.
O mesmo princípio aparece durante as batalhas. A personagem pode usar o chicote para se aproximar rapidamente dos inimigos e conectar diferentes ataques.
O jogo também oferece sete categorias de armas, cada uma com características próprias. Algumas favorecem golpes mais rápidos, enquanto outras apostam em maior alcance ou dano. Essa variedade permite experimentar diferentes abordagens durante os confrontos.
Os Arcanos conectam combate e progressão
Um dos sistemas mais interessantes está relacionado aos chefes. Ao derrotar determinados adversários, Rose consegue aprisionar seus poderes em cartas de tarô, transformando-os em habilidades chamadas Arcanos. Essas cartas podem conceder ataques especiais, feitiços e até habilidades necessárias para acessar novas regiões.
A ideia funciona porque conecta diretamente o combate à progressão. Você não está simplesmente derrotando um chefe para receber uma recompensa qualquer: em alguns casos, o poder daquele inimigo passa a fazer parte das suas possibilidades de exploração. É uma mecânica que combina perfeitamente com a proposta de um metroidvania.
Por outro lado, nem todos esses sistemas atingem o mesmo potencial. Algumas armas acabam oferecendo diferenças relativamente pequenas dentro de suas categorias, enquanto certas habilidades mágicas possuem custos elevados e são utilizadas com menos frequência do que poderiam.
A movimentação também nem sempre transmite a precisão esperada, especialmente quando o chicote precisa ser utilizado em sequências de plataforma que exigem um timing bastante específico.
É aquele tipo de problema que pode parecer pequeno, mas se torna muito mais perceptível em um jogo no qual um movimento errado pode significar cair diretamente em uma armadilha.
Exploração e level design
Belmont's Curse entende muito bem a importância de construir um mundo que desperte curiosidade. Paris funciona como ponto de partida para uma jornada que eventualmente nos leva até o próprio castelo de Drácula. Ao longo do caminho, encontramos corredores secretos, passagens bloqueadas, armadilhas, inimigos e recompensas escondidas.

É aquela sensação clássica de olhar para uma plataforma aparentemente inalcançável e pensar: "Eu ainda vou conseguir chegar ali". Algumas horas depois, quando finalmente desbloqueamos a habilidade necessária, voltar para aquele lugar passa a fazer sentido.
O chicote contribui bastante para essa estrutura, principalmente porque adiciona novas possibilidades de movimentação vertical. Conforme avançamos, os desafios de plataforma começam a exigir maior domínio dessas mecânicas. Mas existe uma ressalva importante.
Apesar de possuir mapas interconectados e caminhos alternativos, Belmont's Curse apresenta uma progressão relativamente direcionada. Muitas regiões funcionam quase como grandes etapas independentes, com uma ordem de exploração mais definida.
Isso significa que jogadores acostumados à liberdade de metroidvanias como Hollow Knight podem sentir falta de uma estrutura mais aberta. Além disso, algumas habilidades desbloqueadas durante a jornada são bastante convencionais. Isso reduz um pouco aquela sensação de descobrir algo completamente novo, capaz de transformar nossa compreensão do mapa.
Ainda assim, quando o jogo combina exploração, combate e desafios de movimentação, consegue recuperar uma parte importante daquilo que tornou Castlevania tão especial.
Direção artística e trilha sonora

Visualmente, Belmont's Curse apresenta uma interpretação bastante interessante da estética gótica da franquia. Mas, em vez de apostar exclusivamente em cenários escuros e cores apagadas, o jogo utiliza uma paleta bastante vibrante.
Vermelhos intensos, roxos, azuis e efeitos visuais contrastam com a arquitetura sombria dos ambientes. O resultado é uma identidade que lembra, em determinados momentos, a animação de Castlevania produzida para a Netflix, mas sem abandonar completamente a aparência dos jogos clássicos.
As animações de Rose e dos inimigos também ajudam a transmitir personalidade aos confrontos. Os chefes, por sua vez, aproveitam bastante essa direção artística, especialmente durante seus ataques mais elaborados.
Nem tudo funciona igualmente bem, porém. Algumas cenas narrativas utilizam ilustrações estáticas, o que pode causar uma sensação de apresentação mais limitada. Também existem diferenças perceptíveis na qualidade de determinados elementos dos cenários.
A trilha sonora provavelmente será outro ponto de discussão entre os fãs. Castlevania sempre foi uma franquia conhecida por músicas extremamente marcantes. Belmont's Curse preserva parte dessa tradição, mas também aposta em composições mais atmosféricas e eletrônicas.
O resultado combina com a proposta moderna do jogo, embora nem sempre alcance o mesmo impacto de algumas das trilhas mais memoráveis da franquia.
Castlevania ainda tem histórias para contar
Durante muito tempo, Castlevania foi uma franquia cuja influência parecia maior do que sua própria presença na indústria. Seus jogos continuavam sendo lembrados. Suas músicas continuavam sendo celebradas. Seus personagens permaneciam importantes. E novos metroidvanias surgiam constantemente, expandindo ideias que a série ajudou a estabelecer.
Mas faltava alguma coisa. Faltava um novo Castlevania. E talvez esse seja o maior mérito de Belmont's Curse. O jogo não tenta fingir que os últimos anos não aconteceram. Não ignora as transformações do gênero e também não procura simplesmente recriar um clássico de décadas atrás.
Ele reconhece o legado da franquia e tenta encontrar um lugar para ela no presente. Nem todas as decisões funcionam perfeitamente. O combate poderia ser mais preciso, alguns sistemas mereciam maior profundidade e existe espaço para refinar tanto a exploração quanto a apresentação.
Mas, apesar dessas limitações, Belmont's Curse consegue oferecer uma aventura que respeita suas origens enquanto procura construir uma identidade própria. E talvez seja importante lembrar de uma coisa: Castlevania não precisa provar que inventou alguma coisa. Sua importância para os videogames já está estabelecida.
O verdadeiro desafio agora é mostrar que essa franquia ainda possui histórias para contar, personagens para apresentar e novas ideias para explorar.
Porque, depois de tantos anos acompanhando os jogos que herdaram seu legado, finalmente chegou a hora de Castlevania escrever mais um capítulo da própria história.
Gostou do conteúdo? Compre um cafézin pra gente e apoie o projeto. E não esquece de seguir a GameFoxHub no YouTube, Instagram e TikTok!
Relacionados

Stupid Never Dies: um RPG de ação tão absurdo quanto cheio de personalidade
Um zumbie também tem sentimentos, não é não?

GTA VI? A real revolução dos videogames pode estar há 14 anos na nossa frente
GTA VI promete revolucionar os mundos abertos, mas Star Citizen quer ir além das estrelas e do universo conhecido!

Aviãozinho do Tráfico Pré 4, feijoada, demônios e muito caos
Confira a nossa análise do jogo que abraça a cultura brasileira e entrega um boomer shooter absurdo!

Fading Echo: uma ideia simples, mas extremamente criativa
Confira a nossa opinião sobre esse indie









