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Pior empresa do mundo?

Conforme relatos de funcionários, trabalhar na Eletronic Arts pode ser pior do que muitos imaginaram.

Henrique Inácio WeizenmannHenrique Inácio WeizenmannPublicado em 28 de outubro de 2026Atualizado em 28 de outubro de 2026

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Já faz tempo que a reputação da Electronic Arts entre os jogadores anda particularmente ruim. A empresa já teve seus momentos altos, com Command and Conquer, Dragon Age, Battlefield e Mass Effect, mas mesmo suas principais franquias entraram em declínio.

E não foi sem motivo que ela foi vendida para o fundo saudita.

Não só, em 2012 e 2013, a EA foi eleita a pior empresa americana, com a editora vendo sua imagem se deteriorar ainda mais devido a uma política agressiva de microtransações. Isso sem falar em jogos que carecem de criatividade real e são vendidos a preços muito elevados.

Agora, sabe-se que essa visão é compartilhada por funcionários atuais e antigos, que se manifestaram logo após o fechamento de um estúdio da BioWare e a demissão de 400 pessoas. São vários funcionários afirmando que simplesmente não querem mais trabalhar na EA, pois as condições pioraram muito ao longo dos anos.

Segundo os entrevistados, a empresa é extremamente opaca, com um abismo cada vez maior entre a gestão e os funcionários. Por exemplo, a editora não revela a identidade dos colaboradores demitidos, deixando as equipes em um estado de incerteza por várias semanas. Além disso, o anúncio das demissões costuma ser feito durante uma reunião via Zoom, com microfones e chat desativados.

Muitos funcionários que trabalham remotamente estão, inclusive, recebendo propostas de realocação que exigem sua presença no escritório três dias por semana. E trata-se de uma condição praticamente inviável, dada a grande distância entre as residências de alguns colaboradores e o local de trabalho.

Não sem razão, a moral na EA estaria em seu nível mais baixo, com a gestão pressionando os funcionários a “fazer menos, mas com mais qualidade”. E o uso de IA generativa também é fortemente incentivado. Segundo os relatos, executivos estariam repetindo constantemente “esse é o futuro, vocês precisam embarcar nessa”.

Evidente que o objetivo é reduzir os custos da folha de pagamento, o que, para muitos, não é uma surpresa. Atualmente, a gestão evita correr riscos para garantir sua estabilidade financeira e jogos de esportes, serviços online e grandes franquias tornaram-se a prioridade.

Por fim, sobre a BioWare, parece que a EA teria tentado, de forma recorrente, desviar o estúdio de sua direção preferida. Ou seja, executivos teriam tentado dissuadir os desenvolvedores de criar RPGs com companheiros e consequências para as ações dos jogadores em favor de serviços online e modos multijogador.

E isso seria a explicação para Anthem, que fracassou. Segundo os relatos, “muito dinheiro foi desperdiçado seguindo caminhos que não levaram a lugar nenhum”, consequentemente, a gestão do estúdio teria se “degradado aos poucos”, perdendo o “desejo de realizar algo interessante”.


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Henrique Inácio Weizenmann

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Jornalista, mestre em comunicação. Entusiasta de jogos a ponto de fazer a dissertação de mestrado sobre o assunto.

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