
Pior empresa do mundo?
Conforme relatos de funcionários, trabalhar na Eletronic Arts pode ser pior do que muitos imaginaram.

Já faz tempo que a reputação da Electronic Arts entre os jogadores anda particularmente ruim. A empresa já teve seus momentos altos, com Command and Conquer, Dragon Age, Battlefield e Mass Effect, mas mesmo suas principais franquias entraram em declínio.
E não foi sem motivo que ela foi vendida para o fundo saudita.
Não só, em 2012 e 2013, a EA foi eleita a pior empresa americana, com a editora vendo sua imagem se deteriorar ainda mais devido a uma política agressiva de microtransações. Isso sem falar em jogos que carecem de criatividade real e são vendidos a preços muito elevados.
Agora, sabe-se que essa visão é compartilhada por funcionários atuais e antigos, que se manifestaram logo após o fechamento de um estúdio da BioWare e a demissão de 400 pessoas. São vários funcionários afirmando que simplesmente não querem mais trabalhar na EA, pois as condições pioraram muito ao longo dos anos.
Segundo os entrevistados, a empresa é extremamente opaca, com um abismo cada vez maior entre a gestão e os funcionários. Por exemplo, a editora não revela a identidade dos colaboradores demitidos, deixando as equipes em um estado de incerteza por várias semanas. Além disso, o anúncio das demissões costuma ser feito durante uma reunião via Zoom, com microfones e chat desativados.
Muitos funcionários que trabalham remotamente estão, inclusive, recebendo propostas de realocação que exigem sua presença no escritório três dias por semana. E trata-se de uma condição praticamente inviável, dada a grande distância entre as residências de alguns colaboradores e o local de trabalho.
Não sem razão, a moral na EA estaria em seu nível mais baixo, com a gestão pressionando os funcionários a “fazer menos, mas com mais qualidade”. E o uso de IA generativa também é fortemente incentivado. Segundo os relatos, executivos estariam repetindo constantemente “esse é o futuro, vocês precisam embarcar nessa”.
Evidente que o objetivo é reduzir os custos da folha de pagamento, o que, para muitos, não é uma surpresa. Atualmente, a gestão evita correr riscos para garantir sua estabilidade financeira e jogos de esportes, serviços online e grandes franquias tornaram-se a prioridade.
Por fim, sobre a BioWare, parece que a EA teria tentado, de forma recorrente, desviar o estúdio de sua direção preferida. Ou seja, executivos teriam tentado dissuadir os desenvolvedores de criar RPGs com companheiros e consequências para as ações dos jogadores em favor de serviços online e modos multijogador.
E isso seria a explicação para Anthem, que fracassou. Segundo os relatos, “muito dinheiro foi desperdiçado seguindo caminhos que não levaram a lugar nenhum”, consequentemente, a gestão do estúdio teria se “degradado aos poucos”, perdendo o “desejo de realizar algo interessante”.
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